Bagagem e vida leves: minimalismo na prática

Bagagem e vida leves: minimalismo na prática

Aprendi muitas lições para a vida, viajando. Sejam lições para as próximas viagens ou para a vida em si. Eu já falei das lições que aprendi nos quase 20 anos que viajo de bus/avião e como tornar o trajeto em um momento com mais conforto.

Mas a verdade é que quando comecei aquele post, que acabou tomando outro rumo, pois queria falar como viajar mudou a forma que levo a vida. Mas era preciso falar primeiro das dicas de viajante para depois falar do conceito de vida meio-viajante 🙂

Por exemplo, lá eu mencionei  que ser capaz de carregar minha própria bagagem é condição mínima de independência na viagem, mas acho que, com tempo o conceito de bagagem enxuta ganhou um aspecto mais macro. Eu quero ter pouca bagagem na vida.

Seja emocional ou na quantidade de itens  no armário, eu não acredito que vim para esse mundo para TER coisas, ter um histórico, ter um passado que influencia no presente. Quando eu digo ao viajante o quão importante é não ser folgado ocupar o espaço dos outros, eu digo para mim mesma que quero ocupar cada vez menos o espaço dos outros com lixo, e isso significa que eu preciso consumir melhor. Ter coisas versáteis: na cozinha, no armário, na necessaire. Não preciso só me desapegar, eu preciso parar de comprar para não precisar me desfazer.

Nas viagens nunca foi de comprar souvenirs dispensáveis, então por que raios eu comprei tantas tranqueiras para minha mini-casa? Foram cacarecos que só serviram para torrar dinheiro à toa, poluir a vista e quebrar. Esse foi o ciclo de vida de objetos pseudo-fofinhos que adquiri – e que precisei adquirir outras coisas para guardá-los. Pois é.

O minimalismo entrou na minha vida aos poucos e, com os anos e o novo apertamento, foi tomando forma. A casa era pequena, eu não queria ter mais um item apertado na bagunça (vide Wall-e), gosto de viajar e a economia do país já não ia bem. Tudo colaborava para que eu tivesse menos.

Acho que o conceito super se encaixo com o meu projeto de vida, mas sei que há um longo caminho a percorrer antes de me sentir bem e com apenas o suficiente. Quando viajei pela primeira vez para a Europa percebi na prática quanto as pessoas tinham menos em casa. Elas dependiam de uma infraestrutura muito básica para ter conforto e qualidade de vida e era o que eu buscava. Como inspiração, tentei pensar nas minhas mochilas de viagem de uma semana e um mês e como elas mudavam muito pouco de tamanho. Aquelas peças eram as que eu mais usava no dia a dia, então pra quê eu tinha ainda um guarda-roupa lotado de roupas que eu não usava a muito tempo? Com isso em mente, comecei a enxugar o armário: vendendo, doando, trocando, mandando consertar, reaproveitando.

Vi que minhas roupas pareciam um carnaval e juntas elas não se falavam e eu preciso sair vestida de casa todos os dias. Precisei adquirir peças duráveis e versáteis que conciliaram estampas, cores e texturas. Funcionou. Como não tenho necessidade de estar na moda, meu guarda-roupa pode ser composto por peças com 10 anos de uso, e para mim está ótimo.

O mesmo acontecia com sapatos: eu não precisava de duas dúzias de sapatos, mas 3 que fossem camaleões resolviam minha vida em uma viagem. Mas eu precisei chegar a quase 40 sapatos para chegar a essa conclusão, que quantidade não significa nada. Eu estava consumindo errado para os meus padrões. Claro que não consigo reduzir todos os sapatos a somente três pares, mas gostaria que, pela quantidade que ainda tenho, eles fossem mais versáteis para compensar o espaço que ocupam no armário.

Colocando essas pequenas atitudes que eu já adotava em viagens, no meu cotidiano, comecei a perceber que menos coisas significa menos tempo investido para organizá-las e mais tempo livre para experimentar a vida. Eu não preciso de mais sapatos, posso viver bem com os meus, sem estar mulamba, até 2017. Eu não preciso de mais roupas, casacos, livros, DVDs, nada do tipo. Tenho um estoque bom. Não quero ocupar o espaço dos outros.

Eu preciso colocar meus projetos pessoais em ordem ao invés de ficar arrumando o guarda-roupa entupido. Dar uma atenção ao blog, aos cursos que faço, à gaita, aos amigos e família. Não dá para viver férias incríveis experimentando tudo quando, em casa, minha agenda 24/7 é consumida por coisas. Assim, realmente não dá graça de viver onde estou e o destino das férias será sempre mais onírico. É preciso me esforçar e o minimalismo me deu esse gás.

Quando observo o preço meteórico das coisas me pergunto como eu fiquei “presa” tanto tempo naquele mindset. O preço das tralhas não acompanhava o valor dos salários e a inflação bate à porta todos os dias. Para continuar viajando eu preciso fazer escolhas: preferir destralhar a vida.

 

Quem escreve 

Tradutora freelancer, assessora de imprensa e fã do ambiente digital. Viaja sozinha desde muito cedo e sempre quis saber onde cada trilha e estrada acabam.

2 Replies to “Bagagem e vida leves: minimalismo na prática”

  1. Excepcional esse estilo de vida minimalista. Cada dia me apaixono mais

  2. […] de ter menos e tals, acho que aprendi fazendo e carregando mala. Já falei disso no post sobre bagagem e vida leve e no post sobre declutter eu cito o app My Dressing que cataloga todas as peças do seu […]

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