Quando viajar é só viajar

Canoa Quebrada – CE. Arquivo pessoal.

Sabemos que o blog anda parado e nós gostaríamos de dizer que é porque estamos dando uma volta ao mundo em 80 dias. Mas a verdade é que a vida vai acontecendo e às vezes esquecemos de dar um respiro.

 

Esse ano tem sido mais quieto para mim no que diz respeito a viajar. Decidi me dedicar a uns projetos e hobbies que para ser bem executados precisam da minha presença física. Achei que eu ficaria deprimida, com ânsia de liberdade, com aquela inquietação no peito por não ficar meses e meses na estrada, mas o que acontece é que eu percebi que há também muita satisfação em ficar. E, assim, também aprendi a valorizar mais quando viajo.

Viajar para mim sempre foi sinônimo de liberdade, aventura, de desprendimento. De aprendizado sobre o quanto o mundo é grande e o quanto eu sou pequena. E realmente, viajar é tudo isso e me ajuda e ajudou a colocar em perspectiva a pequenez dos meus problemas, da brevidade da vida e da quantidade de coisas novas a serem aprendidas que eu jamais serei capaz de aprender – e que está tudo bem, não tem problema.

 

Mas eu percebi que ficar também é tudo isso.

 

Ficar é uma liberdade porque possibilita que você utilize seu tempo de forma menos egoísta e te liberta de si mesmo, pois cria laços afetivos que só podem ser melhor fortalecidos com o contato constante. É uma aventura pois você aprende a se reorganizar com as suas possibilidades e permite que você tenha vários projetos de médio e longo prazo. É desprendimento pois você abre mão da sua flexibilidade constante para se dedicar em encontrar prazer com o que está aqui na sua frente, ao seu alcance. E desta forma, você acaba aprendendo que ser pequeno não é desculpa para não se esforçar em ser relevante, para fazer a diferença, para moldar o seu caráter e personalidade.

Assim, eu percebi que por mais que eu ame a estrada, viajar não me define. E é libertador pensar nisso pois eu consigo entender que algo tão específico não é minha fonte principal de prazer – e que se porventura eu perder a oportunidade de viajar por qualquer motivo que seja, não vou ficar desolada. Eu entendo que há algo maior e eterno que vivifica e liberta minha alma e alimenta meu espírito – e que sem Ele eu não quero e nem posso viver.

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Quem escreve 

Maryssa é gerente de projetos de tradução enquanto viaja o máximo possível – sempre acompanhada de seu notebook e flauta transversal. Não gosta de fazer exercícios e acredita no poder medicinal da pipoca, da batata frita e do café.

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