Um furto, uma história, seis dicas

Conste nos autos que eu tenho um azar danado. Sempre tive. Eu acho que aprendi a antecipar imprevistos e ter planos de ação por causa disso.

Na faculdade, sempre me programei pra entregar trabalhos antes do prazo, estimo custos de viagem com folga, sempre penso na margem pra erro de tudo.

Mas claro que ainda assim a lei de Murphy insiste em se cumprir na minha vida de tempos em tempos.

Era 2013 e desta vez eu estava em Buenos Aires (Argentina) na minha primeira viagem internacional sozinha. A vida não estava fácil, problemas em todas as áreas e eu precisava de férias. Por isso, tirei uma semana para rever a cidade que tanto gosto.

A semana transcorreu sem problemas, até que no último dia, um domingo e feriado local, fui à uma cafeteria Havana na calle Florida para tomar um café antes de tomar o transfer para o aeroporto. Por um descuido, deixei um guardanapo cair no chão após pagar pelo café e deixei minha bolsa de lado por uns 20 segundos para abaixar e tira-lo do chão. Quando voltei o braço pra pegar a bolsa, ela tinha sumido. Eu tinha sido vítima de um furto.

Como eu estava prestes a ir para o aeroporto, absolutamente todos os meus documentos, celular e dinheiro estavam na bolsa. Um casal de brasileiros estava no local e deu suporte emocional no momento, me acompanharam até uma delegacia e me emprestaram algum dinheiro. Descobri somente algumas horas depois que foi providencial, pois todas as agências bancárias estavam fechadas e logicamente o banco não me permitiria sacar sem algum documento de identificação.

Na delegacia, chamaram uma tradutora pra me ajudar a fazer o boletim de ocorrência. Com o boletim em mãos me dirigi ao consulado brasileiro e para minha surpresa, o cônsul de plantão não estava no local. Tive que me dirigir a uma cabine telefônica e ligar pra um número de urgência. Após chegar com mais de uma hora de atraso, ele me pediu o boletim de ocorrência e cópia de algum documento que comprovasse a minha identidade. Como eu tinha tudo salvo em nuvem, pude acessar a cópia do próprio passaporte e apresentar ao cônsul. Mediante isso, ele emitiu um  documento chamado ‘Salvo Conduto‘ que serviria como minha identificação temporária para embarque.

Depois da correria consulado – hostel – ponto de embarque transfer (eu não poderia perder este, pois eu com certeza perderia o voo se tivesse que tomar o próximo), cheguei 5 minutos antes de perder o ônibus, mas consegui me encaminhar ao aeroporto. Lá, tive que passar pela alfândega antes de me dirigir ao balcão da companhia aérea para pegar uma segunda via do visto. Com isso em mãos, me dirigi ao balcão e despachei as malas. Só tive paz de novo quando sentei nos banquinhos desconfortáveis da sala de embarque.

No Brasil, eles recolheram o tal do Salvo Conduto e de novo me senti indigente. Estava no Aeroporto de Guarulhos e como meu próximo voo era com outra companhia aérea, eu precisaria de algum documento para embarque. Descobri lá mesmo que existe um escritório da Polícia Civil no aeroporto e expliquei a situação para o policial. Ele redigiu de bom grado uma declaração de extravio de documentos – aparentemente ele não poderia fazer outro boletim de ocorrência pois eu já possuía um. Embarquei sem problemas.

Apesar do transtorno, para minha surpresa, depois de dois dias recebi um email do consulado me informando que meus documentos tinham sido encontrados. Eles enviaram por correios para o meu endereço e nenhum deles estava faltando. Até mesmo meus cartões estavam lá, mas claro que à esta altura já estavam bloqueados.

Resumindo, como dicas, posso recomendar:

1 – tenha um seguro viagem que cubra furtos: eu teria tido menos transtornos se tivesse contratado um, pois eles me ajudariam com absolutamente tudo, até providenciariam dinheiro;

2 – a primeira coisa que você deve fazer é procurar a polícia e registrar um boletim de ocorrência;

3 – depois, vá a um consulado brasileiro (ou contate um);

4 – tenha cópia física e em nuvem de todos os seus documentos, bilhetes de viagem, apólices de seguro e telefone/endereço de consulado brasileiro em todas as cidades que você sabe que vai visitar. Isso vai ajudar tanto no consulado quanto na polícia para fazer o boletim de ocorrência;

5 – tenha um cartão e/ou dinheiro separado do restante, principalmente no cofre do hostel ou em money belt;

6 – tome cuidado, mas não fique paranoico. Curta cada momento da sua viagem: na pior das hipóteses, vai ter uma história para contar.

E você, tem alguma história para compartilhar? Adicionaria alguma dica?

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Quem escreve 

Maryssa é gerente de projetos de tradução enquanto viaja o máximo possível - sempre acompanhada de seu notebook e flauta transversal. Não gosta de fazer exercícios e acredita no poder medicinal da pipoca, da batata frita e do café.

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