Ela foi para Filipinas sozinha e está tudo bem

Inaugurando uma série de relatos de viagens pelo mundo, o Viajar eu Preciso tem falado com viajantes sobre suas experiências de viagem e, para abrir, vamos falar sobre a tão temida Ásia. Basicamente, tudo o que escapa à EUA e Europa ocidental tem a fama de ser hostil (verídico em alguns casos) com turistas. E a Thaís, do Sereia no Aquário, que tem 23 anos, é bióloga e mora em Campinas (SP), vai contar um pouco da viagem à Filipinas, compartilhando um relato encorajador para quem tem vontade na mesma proporção que tem medo de conhecer a Ásia.
“Bom, minha família quase nunca viaja e, quando o faz, costuma ser sempre para os mesmos locais, na mesma pousada, comendo a mesma porção, sabe essa coisa? rs… minha mãe fica louca com minhas viagens! haha tanto é que eu nem dou muitos detalhes porque sei que eles ficam mais preocupados do que necessário. Hoje em dia, acho que eles já se acostumaram mais com o fato de eu ter um estilo de vida bem diferente do deles.
Viajar é uma coisa recente na minha vida, foi depois de ter ido morar na Austrália em 2014. Fiz um intercâmbio de estudos por lá, juntava dinheiro dividindo casa com 357 pessoas e comendo porcaria barata a semana toda haha, e ia viajar nos breaks, recessos e férias de aulas.
mergulho em Kanawa, Komodo, Indonésia
 A viagem sozinha pra Filipinas foi um rolê decidido absurdamente no impulso, comprei a passagem assim que desisti de voltar pra Indonésia com uma amiga (maravilhosa, a Nicoli Eiras, que também dá altos rolês sozinha). Comprei a passagem porque queria muito ir, e não desanimei por não ter companhia. Obviamente, no início, a ideia de viajar sozinha é estranha e dá um medo. Medo a gente sente o tempo inteiro, tem que ir mesmo assim porque viver é inseguro, minha gente. A diferença é que quando nos deparamos com o desconhecido, a gente se apavora e acha que tudo é o fim do mundo.
Essa foto representa MUITO viajar sozinha pra mim! Você atrai dogs e nunca está sozinho com um livro
O quesito segurança eu sempre ando com um gelol spray, infelizmente, porque ouvi dizer que substitui o spray de pimenta quanto à ardência e tal. Também pretendo fazer um curso de defesa pessoal. Outra coisa que eu faço bastante é anotar alguns números de emergência e deixar na carteira. É mais por ter mesmo, porque, na prática, acho que só com ajuda das pessoas que aparecem no teu caminho mesmo (e não subestime, elas são muitas!).
Thaís dormindo em um andar em reforma no aeroporto de Bali
Depois de um mês planejando (foi o tempo entre a compra da passagem e a viagem, de fato), eu só reservei um lugar pra ficar na noite que chegasse e tinha um roteiro bem superficial em mente, os lugares que mais gostaria de ver e tal. O resto (ou seja, TODO o decorrer da viagem) foi feito no improviso. A grana eu não sei precisar ao certo, até porque na época minha mentalidade tava em dólares australianos e eu saí da Austrália pra essa trip, e emendei com a Indonésia de novo depois, enfim… eu fui do jeito que tava mesmo.
Como eu morei na Austrália por um ano, aproveitei para viajar pelo país; fui para a Nova Zelândia com amigos; fui sozinha para Filipinas; fui duas vezes a Indonésia (é importante ressaltar a divisão porque o país é gigantesco e eu consegui conhecer muitas ilhas, incluindo a maravilhosa Komodo… daria um post só sobre esse país haha); e uma viagem mutcho loka com amigas bêbadas pela Tailândia hahahaha.
Para manter o ritmo das viagens, eu tenho estágios da faculdade e também passei a dar aulas particulares de inglês depois que voltei da Austrália.
Pra mim a viagem é sempre interna, é mais uma questão de manter o espírito aberto para mudanças e novidades, do que de pegar um avião pro outro lado do mundo pra passar perrengue e tentar aumentar seu autoconhecimento. Eu posso muito bem ir até a esquina e ter o mais insight da minha vida… é só eu estar aberta ao que outros seres humanos e o mundo têm pra me passar. Sei lá.
Lavando roupa na casa de um tiozinho que fiquei hospedada, embaixo do chão de madeira do meu quarto uma dog deu cria e eu ficava ouvindo eles chorarem hahahaha
Inclusive, é aceitar perrengues. Desde ficar ilhada por três dias numa ilha nas Filipinas porque o tufão Falcon estava passando e não tinha como nem pensar em ir pro barco, até pegar uns voos da Malaysia Airlines (sim, aquela que sempre sai no noticiário porque caiu avião) e outras companhias aéreas que me faziam pensar ”mano, se eu sobreviver hoje, eu nem sei o que vou fazer de feliz” hahaha. Fora isso, talvez alguém possa considerar perrengue dormir em lugares aleatórios, comer resto de comida de restaurante, mas eu não acho isso perrengue, só é uma alteração da lógicas das coisas… tudo sempre depende do referencial de onde você tá partindo.”

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Quem escreve 

Tradutora freelancer, assessora de imprensa e fã do ambiente digital. Viaja sozinha desde muito cedo e sempre quis saber onde cada trilha e estrada acabam.

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