Vivendo fora da caixa: intercâmbio como experiência transformadora

A vida é curta para ter preguiça

“Cerca de 30% dos intercambistas não voltam ao Brasil depois de uma experiência no exterior”. Essa é a constatação de Alexandre Pucci, diretor da Information Planet no Brasil, rede mundial de agências de intercâmbio que atua em seis países em três continentes. Os estudantes da agência partem para destinos como Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Estados Unidos, Irlanda, Reino Unido e Malta.

Do grupo que retorna, há ainda uma boa parte que se prepara para o próximo intercâmbio e também aqueles que querem seguir com a carreira no exterior. Depois de um ano fora, mais qualificados, com uma visão mais ampliada de mundo e das oportunidades profissionais, esses brasileiros se somam ao volume crescente de expatriados.

Entre as razões para esse quadro estão salários em baixa, crise na economia, falta de segurança e de perspectivas na carreira, alto custo de vida e a necessidade de uma infraestrutura cara para ter qualidade de vida – carros, condomínio fechado, escolas particulares e formação complementar dos filhos. Com uma base salarial tão baixa, não é de surpreender que profissionais qualificados optem por projetar uma carreira fora.

De acordo com a Brazilian Education & Language Travel Association (Belta), só em 2015, a procura por cursos de graduação fora do Brasil aumentou 600% no primeiro semestre e esses brasileiros estão cada vez mais interessados em construir a carreira fora e permanecer por lá. Para eles, voltar não está nos planos. Só nos Estados Unidos, o número de estudantes brasileiros aumentou em 78% em 2015.

Alternativas

E essa realidade não se resume aos profissionais solteiros e sem filhos. Famílias inteiras optam por se mudar para países como Austrália e Nova Zelândia para fazer cursos de especialização enquanto os filhos estudam o High School de graça, um benefício e tanto para estrangeiros.

Em 2005, havia 7.530 brasileiros vivendo na Austrália, sendo que em 2015 esse número saltou para 24.810, o que significa um aumento de 330% em 10 anos, conforme Australian Bureau of Statistics. No entanto, embora as políticas migratórias sejam atraentes e a lista de profissionais requisitados seja a mais diversificada possível, é preciso considerar um certo grau de dificuldade e um investimento significativo para mudar de país.

Na Austrália, por exemplo, é preciso demonstrar um interesse em imigrar por meio de um cadastro Expression of Interest (EOI) e depois aguardar o convite do SkillSelect para se candidatar ao próximo de visto para Austrália. Durante o processo são exigidos documentos pessoais traduzidos e autenticados, além do pagamento de taxas para a imigração australiana e é exigido no processo de candidatura, um exame de proficiência em inglês.

Naturalmente, em um país que somente aceita imigração de profissionais qualificados, o mercado de trabalho é bastante competitivo e as vagas de trabalho são bastante disputadas. Por esse motivo, geralmente os interessados em imigrar para o país fazem primeiro uma viagem de turismo ou passam um tempo de intercâmbio na Austrália.

Essas viagens introdutórias são importantes para o candidato aperfeiçoar o domínio do inglês, conhecer a cultura local e os custos de vida. Dessa forma, ele terá condições de sondar de perto como é possível solicitar vistos de trabalho temporário mesmo como turista ou estudante, além de levantar alguns recursos e se familiarizar com as expetativas do mercado de trabalho.

Quem escreve 

Tradutora freelancer, assessora de imprensa e fã do ambiente digital. Viaja sozinha desde muito cedo e sempre quis saber onde cada trilha e estrada acabam.

One Reply to “Vivendo fora da caixa: intercâmbio como experiência transformadora”

  1. Muito bom!

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