A triste história do turismo em Costa Rica (MS) e um possível final feliz

Parque Nacional das Emas - página não abre

Tudo começou com uma vontade louca de viajar, pra variar. Eu tinha tirado férias do trabalho e ficado em casa e, daí  surgiu uma oportunidade de atender um cliente em Costa Rica / MS. Sabedora das belezas da região, eu já aproveitei para tirar novas férias depois, mais que merecidas, por lá mesmo.

Costa Rica / MS é um município no norte do MS, próximo à GO e MT e, pra nossa alegria, é uma região rica em belezas naturais – cachoeiras, canions, rios e tal Água Santa (que você boia). Conto mais tarde. Daí que eu queria acampar, desligar o celular e me embrenhar pelo mato. Bateu a primeira dúvida: por onde começo? Mais que depressa colei na Luana (beijo Lu, valeu!) acampadora de carterinha, que me deu o maior gás e várias dicas úteis, afinal, como faz para acampar. Primeira vez. Meio selvagem. Sozinha.

Porque assim, uma coisa é ter a ideia de ter uma barraca e acampar em um lugar lindo, mas na hora de planejar eu não sabia nem como chegar, o que comer ou como não me perder no meio do mato. Buguei três vezes e reiniciei o sistema. E como a Lu já acampou um par de vezes no Brasil e EUA, ela tá careca de saber como funciona a parada.

Pra variar, eu já tava quase desistindo, afinal falta de informação gera um medinho básico. A primeira frustração foi saber que o município ainda não tem uma infraestrutura de receptivo para turistas, as informações são desencontradas, somente um guia turístico “funciona” na cidade e até o momento que escrevo este post, ele não me passou o orçamento dos seus serviços. ”/

Não tem mapas, rotas, trilhas, nada. E eu sei que o lugar é lindo.

Para day-use algumas fazendas e o próprio balneário municipal oferecem o serviço, mas para camping o bicho pega. Ao pesquisar sobre o parque (para saber se por outros municípios eu teria mais sucesso), a sensação foi de desolação. Os links do governo federal não funcionam ou estão desatualizados e a fanpage do parque tem a última postagem em 2011. Né?

Parque Nacional das Emas - página não abre

Esse período me lembrou quando eu fui para a Bolívia e TODO ser humano que eu encontrava só me botava mais medo de viajar sozinha. Lá é perigoso, diziam em coro. E, se não fosse pelo empurrãozinho da minha sister hardcore e de um amigo que mora lá (beijo Fer!!), eu não teria ido.

Tá, você pode pensar, nossa que frescura, é só uma viagem. Mas é preciso entender que viajar é quase um tabu por aqui, as pessoas vão para a praia nas férias. As pessoas fazem pacotes e vão para o nordeste. As pessoas vão para onde outras pessoas já foram e está tudo bem. Então quando sua filha/prima/sobrinha/amiga decide fazer algo sozinha para um lugar desconhecido, ela provavelmente vai correr sérios riscos de vida. Ela vai morrer. Entende o drama e a pressão social?

Fanpage Parque das Emas - desatualizado

E o meu problema é que eu sempre quis acampar, mas por vários motivos somente agora a real oportunidade está surgindo e eu realmente quero romper essa insegurança em mim e desfrutar de outras experiências. Bom, eu sou cristã e eu gosto de relacionar os fatos bíblicos com o meu contexto. Cristo foi para o deserto passar um tempo sozinho, longe da multidão. E eu acho que tudo o que eu preciso agora é desconectar de whatsapp, de relógio, de facebook e passar uns dias em silêncio, curtindo a natureza, orando e tendo tempo para ouvir meus próprios pensamentos, sabe?

Então, acampar é um big deal para mim e essa falta de informação institucional não está ajudando em nada. Por exemplo, eu ainda não sei como chegar ao parque, não tem mapa! Quando eu chegar lá vai ter uma placa ou holofotes dizendo “hey, por aqui: sombra e água fresca” ou eu meu ponto de parada é um mato igual a qualquer outro, sem referência nenhuma e eu vou passar uns dias acampada em uma plantação de algodão por não ter localizado o parque?

Tentei o site de Mineiros/GO e consegui uns emails, adicionei à lista outros emails do WikiParques

Comunicação precária - Parque das Emas

Emails não funcionam - parque das Emas / GO

Acampar é um mistério para mim. Como eu faço para achar água? Como faz fogueira? Pode fazer fogueira?

A Lu me pegou pela mão e adotou a missão de me orientar e me dar encorajamento para seguir adiante com o meu plano. Mas o tempo estava correndo e as respostas não eram esclarecidas na velocidade que eu precisava, então, de novo, ficou aquela sensação de missão não cumprida somada à vontade de acampar.

Criei a tal coragem que faltava, mas ainda assim não deu. Entrei em contato com a secretaria de turismo de Costa Rica e, apesar da boa vontade de atendentes, eu consegui essas informações:

Folders Costa Rica/MS

Nenhum mapa, nenhuma rota, nenhuma informação concreta. Mas fiz a lição de casa: duas semanas anteriores ao meu período de férias eu contatei um guia indicado pela secretaria (que me informou que ele era o único guia da região) que ficou de me enviar um orçamento e informações. Estou aguardando até hoje. Depois recebi a indicação de outro guia, que aparentemente foi super solícito e disposto a me atender imediatamente, mas assim que ele descobriu quem eu era (fui jornalista em uma campanha política) ele começou a dar desculpas e furou comigo, pois ele apoiava outro candidato. Muito feio!

Fiquei bastante chateada pois esses fatores unidos estragaram as férias que eu tanto sonhei e a falta de profissionalismo mancharam completamente a imagem do turismo de Costa Rica para mim. Se não fossem amigos generosos que me deixaram semi-acampar no sítio deles (faço um post mais tarde, pois o lugar é lindo e as pessoas de lá são ótimas!) eu teria ficado completamente no vácuo.

Quando tudo estava perdido,  no último momento eu conheci  Élvis, O Guia. Em uma sequência de boas coincidências – ele é amigo de um pessoal super gente boa que é parente dos caseiros de uma amiga que tem uma fazenda e, que havia me “resgatado” da frustração, me levando para visitar o local. (Beijo Edileuza, beijo prof. Evair!) Ao contar meu drama já marcaram com o Élvis para visitarmos os canyons do Engano. Simples assim, sem furo, sem “o acesso lá é muito difícil de explicar”, sem justificativas demasiadas fúteis para serem minimamente verossímeis.

Feliz da vida com a trupe nos Canyons do Engano
Feliz da vida com a trupe nos Canyons do Engano

E foi então que descobri algo mais grave: a secretaria municipal de turismo seleciona quais empresas e profissionais gosta de divulgar, pois existem mais de DEZ guias na região e eles somente divulgam um ou dois. O turista perde e o turismo enfraquece. Feio e feio.

No próximo post eu vou falar especificamente sobre os Canyons do Engano. Por ora fica a saudade dos amigos novos e de uma região que não consegui desbravar do jeito que esperava. E fica a vontade de ir pra lá no próximo feriado, agora que existe o Guia. =)

Serenidade no olhar de quem conheceu uma pessoa sensacional, valeu Elvis o/
Serenidade no olhar de quem conheceu uma pessoa sensacional, valeu Elvis o/

Esse post até pode ser considerado jabá, mas faço com gosto, pois acredito que profissionais excepcionais precisam ser reconhecidos e valorizados pelo mercado 😉

Contato do Elvis 67 99852-5743

Fanpage da empresa Camaleões do Cerrado

 

Observações aleatórias que me ocorreram:

Ainda bem que o parque é das Emas, pois se fosse das Onças eu não sei não se ia rolar coragem por aqui.

Ps. Lu, sempre quis conhecer o Yellowstone, mas depois que você contou dos alces-rex eu não sei se dou conta não.

Related Post

Quem escreve 

Tradutora freelancer, assessora de imprensa e fã do ambiente digital. Viaja sozinha desde muito cedo e sempre quis saber onde cada trilha e estrada acabam.

Deixe uma resposta